Transformando realidades: UNIFAA promove ações de cidadania no Projeto Rondon
Publicado em: 17/08/2026
Atuar diretamente na dura realidade de comunidades que ainda sofrem, por exemplo, com a ausência de saneamento básico e outras mazelas. Superar dificuldades, como o calor, insetos e alimentação, com base no companheirismo e amor à profissão, acreditando que é possível construir um país melhor. E, ao mesmo tempo, assimilar as lições vividas sem, no entanto, permitir que a dureza da experiência retirasse a alegria de participar de uma das mais importantes experiências da extensão universitária do país. Pelo terceiro ano consecutivo, o Centro Universitário UNIFAA participou do Projeto Rondon, e a equipe composta por dez integrantes, sendo duas professoras e oito estudantes, foi recebida na Reitoria da instituição.
Além da certificação e do agradecimento institucional, um momento para que todos pudessem compartilhar suas experiências. Risadas, lágrimas e vozes embargadas refletiam o quão impactante a centésima edição da iniciativa do Ministério da Defesa tinha sido. Foi possível notar, ainda, os laços fraternos que se formaram no grupo. E o momento serviu para o “plantio de uma semente”: por que não criar um núcleo do Rondon em Valença para atuação na região? A ideia traduz o pensamento do Reitor Marcio Martins da Costa, que destacou o orgulho de ver o UNIFAA, pelo terceiro ano consecutivo, participando do Projeto Rondon e representando o Estado do Rio de Janeiro em uma iniciativa de tão grande relevância social e formativa.
O Reitor reforçou, ainda, sua convicção na força do projeto como instrumento de transformação, cidadania, extensão universitária e formação humana dos estudantes, ressaltando o compromisso institucional com a continuidade e o fortalecimento dessa participação. Como forma de preservar e ampliar esse legado, sugeriu também a criação de uma Liga Rondonista, integrada por todos aqueles que já vestiram o tradicional colete amarelo e vivenciaram a experiência do projeto. Na oportunidade, a Coordenadora do curso de Enfermagem e Gestora da área de Pesquisa, Extensão e Mobilidade Acadêmica, Ana Paula Munhen, também recebeu certificado pela contribuição à participação do UNIFAA no Projeto Rondon.
A edição 2026 do Projeto Rondon ocorreu entre os dias 11 e 25 de julho em Goianésia do Pará (PA), mas a equipe do UNIFAA pisou em solo paraense no dia 6 para participar de uma preparação na unidade do Exército, em Marabá. Foram realizadas dezenas de atividades e oficinas, em três eixos, na Operação Carimbó: Saúde Humana e Bem-Estar; Saúde Animal e Produção Rural; Cultura, Sociedade e Capacitação Profissional. Em sua fala, o Reitor Marcio, visivelmente emocionado, destacou que os estudantes manifestaram os cinco valores da Fundação Educacional Dom André Arcoverde: “vocês foram Determinados, Cuidadosos, Responsáveis, Íntegros e profundamente Inspiradores”. Ao final da cerimônia, agradeceu:
“Hoje é dia de reconhecer uma missão cumprida com excelência. Missão com dedicação e espírito de corpo. Vocês enfrentaram cada desafio com fibra, vibração e, acima de tudo, camaradagem, demonstrando, na prática, que missão dada é missão cumprida. Em cada atividade, estiveram presentes com disposição, compromisso e verdadeiro espírito de equipe. Foram dias intensos, dias de muito trabalho e também muita ralação. Mas, diante de cada desafio, a resposta foi sempre a mesma: positivo. Talvez aí o encontro da alegria de vocês. Seguimos sempre em frente e sempre juntos. E mais que cumprir uma tarefa, vocês deixaram marcas, construíram vínculos e contribuíram para transformar vidas por meio do conhecimento, do cuidado, da presença e da relação colaborativa que vocês tiveram.”
“Eu acompanhei cada segundo de vocês pelo grupo. Eu estava ali, sempre apoiado pelas professoras Juliana e Alini. O mais importante que vejo e fico feliz é a transformação de vocês, porque eu sei que vocês foram transformar vidas, o que fizeram de forma grandiosa, mas voltaram transformados. Parabéns! Agradeço pela parceria e pelo comprometimento”, expôs o Coordenador de Extensão do UNIFAA, Júlio César da Silva. Coube à professora Juliana Eschholz ser a Coordenadora da equipe. Uma responsabilidade grande e nova para ela, que soube conduzir com o apoio de todos. “Eu me vi com uma responsabilidade diferente, com uma competência de liderança. Eu pensei: ‘Eu tenho que fazer isso aqui dar certo’, revelou, aproveitando para destacar a assertividade do processo de seleção dos estudantes que participariam do Rondon: “Somente lá que a gente conseguiu ver que acertamos na escolha. Não tivemos nenhum problema.”
Tão jovens
“Todos os dias, antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia. Sempre em frente, não temos tempo a perder”. Nos momentos em que alguma dificuldade pudesse corroer o espírito da equipe, como falta de água para tomar banho após a longa jornada ou a saudade de casa, o estudante de Medicina Veterinária, Patrick Goulart, pegava o violão e começava a cantar. Os versos da música da banda Legião Urbana compuseram a trilha sonora da viagem ao Pará. Ao final da cantoria, o espírito já estava renovado. E esse sentimento foi abordado pela professora Alini Schultz, durante a reunião na Reitoria do UNIFAA:
“O Rondon é mais que um projeto. É um estado de espírito”, disse, acrescentando: “Para além das experiências, para além das bagagens, ele é o espírito de cidadania. A gente volta muito mais transformado, impactado com as realidades locais, com aquilo que a gente consegue entregar e com a percepção de que, com todas as dificuldades que conseguimos enxergar naquele local, muitas vezes elas também estão do nosso lado. Não precisa ir tão longe para conseguir atender uma população carente, auxiliar com algum conhecimento para uma dada região. Vejo o Rondon como uma identidade, um espírito, no sentido dessa visão extensionista.”
Para a estudante de Enfermagem Maria Eduarda Menezes dizer que a experiência foi transformadora é pouco. Um momento que vai guardar para sempre foi a atuação no Assentamento Cinco Irmãos. “Já estávamos achando Goianésia uma cidade precária, mas quando fomos para o assentamento, conseguimos ver a raiz dessa precariedade. Era uma minicidade. Tudo feito de madeira, muitos casos de zoonoses, muitas pessoas carentes até de informação. Depois que fizemos nosso mix de palestras e oficinas, as pessoas falaram: ‘Nossa, vocês são do Brasil mesmo?’. Até pensamos que não estávamos levando tanta coisa, mas quando trouxeram esse feedback, sentimos que estávamos fazendo a diferença”.
Também foi assim com a estudante de Medicina, Vitória Vieira. Ela revela que um momento que marcou muito foi na oficina de Saúde de Famílias Rurais, destinada a agentes comunitários. A futura médica tinha o receio de não ter adesão. Na programação, uma dinâmica para a construção de um filtro utilizando garrafas pet. “Eu quase chorei na frente de todo mundo, porque foi maravilhoso. Conversaram muito comigo. E quando eu fiz o filtro, eles falaram: ‘Meu Deus, como eu nunca pensei nisso’. Era uma coisa que eles nunca tinham visto. Uma coisa que parece boba, mas que muda a realidade das pessoas.”
Finalizando, o Reitor Martins da Costa destacou: “Ser reconhecido pelo MEC como o melhor Centro Universitário do Estado do Rio de Janeiro é motivo de grande orgulho e comprova a solidez da nossa qualidade acadêmica. Mas a excelência que buscamos vai além dos indicadores: ela se concretiza todos os dias na experiência de aprendizagem que proporcionamos aos nossos estudantes. É a união entre qualidade reconhecida, excelência acadêmica e uma experiência transformadora de formação que nos torna referência no ensino superior.”

